sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

“Decisão será política, não sei se pressão popular irá preponderar”, diz Alvaro sobre impeachment

Uma Comissão Especial da Câmara Federal analisa as razões para o impeachment. Para que o processo siga para o Senado, são necessários 342 votos, dois terços do total de deputados.

Mega-Sena

O senador ainda não recebeu explicações da Caixa Econômica Federal, sobre a trapalhada na divulgação do resultado do sorteio da Mega-Sena do último dia 25, quando a Caixa anunciou que o prêmio havia acumulado e, durante a madrugada, surgiu um ganhador.  “Ainda não recebemos a resposta. Num primeiro momento a Caixa informou que houve um equívoco de publicação, com informações do sorteio anterior, mas se for é um grande equívoco, um equívoco imperdoável. A Caixa tem que ter mais eficiência, até por conta do histórico desses precedentes. A caixa tem que ter mais respeito com a população, com os apostadores, com essa legião de sonhadores”, cobrou.

Leia a íntegra do ofício encaminhado à CEF

Desde 2004 Alvaro Dias vem denunciando a manipulação de resultados e lavagem de dinheiro por meio de prêmios da loteria: “nós provamos (as irregularidades) com informações sigilosas e inclusive o nome dos ganhadores. Teve um cidadão que ganhou 525 vezes, outro 300 e pouca e outro 206 vezes. Houve um cidadão que cobrou 107 prêmios num só dia, em sete modalidades”, argumentou.

Entre os instrumentos propostos pelo senador para evitar que as loterias da Caixa sejam utilizadas para lavagem de dinheiro está a identificação completa dos ganhadores, a verificação de antecedentes criminais, além da verificação da reincidência de saques: “Primeiro, ao sacar o prêmio, o vencedor deve comprovar a origem dos recursos de suas apostas. Segundo, o gerente somente poderá pagar o prêmio após a comunicação prévia à Central de Loterias, bem como ao Coaf, ficando o saque bloqueado até informações dos referidos órgãos. Terceiro, o saque fica condicionado à identificação completa do sacador e à verificação se o mesmo tem antecedentes criminais, com a comunicação com a Polícia Civil de cada Estado onde se localiza a agência”, enumerou.

PMDB deve atuar alinhado contra impeachment, diz ministro

O ministro da Saúde, Marcelo Castro: "o PMDB não é um partido golpista"
O PMDB deve atuar alinhado em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff na comissão especial que analisará o pedido impeachment que começará a funcionar na segunda-feira, disse o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

"O PMDB não é um partido golpista. A história do partido é em defesa da democracia, lutou pelas Diretas, pelo estado democrático de direito, essa é a marca do PMDB", disse o ministro peemedebista à Reuters nesta sexta-feira.

O PMDB tem direito a oito vagas na comissão especial que analisará o pedido de impeachment, maior bancada no colegiado de 65 assentos, juntamente com o PT, que também tem direito a oito deputados.

A declaração do ministro da Saúde foi feita horas depois de ter sido revelado que o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, um dos principais aliados do vice-presidente Michel Temer, pediu demissão do cargo.

A saída de Padilha foi confirmada pela Reuters com duas fontes do partido, que alegaram que o motivo seria problema em uma nomeação para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Padilha estaria insatisfeito com o governo há algum tempo, e a gota d'água para o pedido seria a indicação por Padilha de um nome para a Anac encaminhado ao Senado, que teria sido retirado pelo Palácio do Planalto, segundo uma das fontes do PMDB.

O pedido de demissão também ocorre dois dias após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), correligionário de Padilha no PMDB, ter acatado pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Abrir impeachment foi ataque pessoal, avalia governo

A primeira avaliação interna do governo é que a aceitação do pedido para abertura do processo de impeachment feita pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi uma decisão pessoal de ataque à presidente Dilma Rousseff. 

Por esse motivo, em seu pronunciamento à imprensa, ela decidiu contra-atacar, dizendo que não tem conta no exterior e não ocultou do conhecimento público a existência de bens pessoais. Uma referência às supostas contas secretas na Suíça atribuídas a Cunha, de acordo com as investigações da Operação Lava Jato.

A presidente foi informada sobre a aceitação do pedido para abertura do processo de impeachment pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, antes do anúncio oficial ser feito pelo presidente da Câmara. Após receber a notícia, ela teria dito, segundo assessores presidenciais, que se libertou das ameaças, já que os pedidos protocolados na Casa nunca deixaram de ser considerados como uma carta na manga de Cunha para “chantagear” o Planalto.

Em uma demonstração de força, onze ministros de Estado acompanharam a fala de Dilma, classificada por ela como “palavra de esclarecimento a todas as brasileiras e a todos os brasileiros”. Ela própria utilizou a palavra “tranquilidade” para dizer que crê na improcedência do pedido e que confia no seu “justo arquivamento”.

Para rechaçar de vez as hipóteses de que estava negociando com o presidente da Câmara, que em julho anunciou o rompimento com o governo, ela disse que “jamais aceitaria ou concordaria” com qualquer tipo de barganha, referindo-se a uma possível votação favorável a Cunha por deputados da base no Conselho de Ética da Câmara, onde está sendo analisado processo que investiga o próprio presidente da Câmara.

A resposta da presidente veio cerca de três horas depois da entrevista coletiva de imprensa concedida por Eduardo Cunha. A maior demora ocorreu entre o momento em que foi anunciado que haveria uma manifestação oficial e a efetiva fala de Dilma.

Por 45 minutos, os jornalistas aguardaram o pronunciamento no Salão Leste do segundo andar do Palácio do Planalto, que a centenas de metros do Congresso Nacional. Além da imprensa, mais de 30 assessores e funcionários do Palácio acompanhavam os preparativos.

Pouco antes da fala, o cerimonial da Presidência trocou o banner que fica atrás do púlpito onde o discurso seria lido, para um maior, que mantinha as cores da bandeira do Brasil e o logotipo do governo federal: Brasil. Pátria Educadora.

Após o pronunciamento, nenhuma pergunta foi dirigida pelos jornalistas à presidente. A Secretaria de Imprensa havia avisado que não seria uma entrevista coletiva. Dilma permaneceu em seu gabinete durante uma hora antes de se deslocar para o Palácio da Alvorada, sua residência oficial. Enquanto isso, motoristas que passavam em frente ao prédio buzinavam em seus carros e vuvuzelas eram ouvidas do gramado em frente ao Congresso Nacional

Para esta quinta-feira (3), a agenda oficial da presidente prevê apenas despachos internos. Os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, reúnem-se às 10h30, no mesmo Palácio do Planalto, com os líderes de partidos da base aliada do governo na Câmara dos Deputados.